Fugi por uns dias para Roma. Inicialmente íam ser umas férias, mas vai ficar para sempre como uma fuga ao momento mais difícil da minha vida. Às vezes achamos que o tempo pára, que nos dará uma trégua, por piedade ou por outro motivo cósmico mais elevado.
Então, com o coração nas mãos, fui à mesma. Na véspera, estive com ele e combinámos coisas para quando voltasse. Devolvi-lhe as chaves do carro que me tinha emprestado e que reclamava tanto de volta porque “tinha de fazer uma viagem”, dizia. No dia seguinte recebo uma chamada, o meu pai tinha ido fazer a tal viagem, mas não levou o carro com ele. E eu, eu estava em fuga numa das cidades que mais gosto mas que nunca me deixará esquecer que nao fui capaz de voltar.






